Manhã de inverno na fria Itapetininga.
João Guilherme, a prima e duas amiguinhas insistem em ir à pista de skate e, por fim, cedo aos pedidos e vamos todos para lá. Além do frio, o tempo está úmido pela chuva que caiu durante a noite. Sento encolhido em um canto buscando esconder-me do vento e as crianças brincam.
Enquanto olho desatento para as crianças e outros dois meninos em suas manobras, vejo à distância um sorveteiro com seu carrinho se dirigindo para a pista. Claro, ele viu as crianças e resolveu dar uma investida. Com os meus não conseguirá nada. Mesmo que peçam. Está muito frio!
Começo a navegar pela internet com o celular. Quando levanto os olhos, eis que o sorveteiro está sentado em um banco e os dois meninos que já estavam na pista estão sentados ao lado dele. E chupando sorvete!
Surpreendi-me, não apenas com a venda bem sucedida, mas principalmente com o fato de que os dois meninos travavam uma conversa animada com o sorveteiro. Pensei: serão vizinhos, conhecidos, parentes? Pode ser. Ou então se conheceram naquele momento. Momento de descansar da caminhada, de interromper as manobras, de sentar e, sem pressa, conversar. Fiquei curioso com o tema do bate papo.
Estava longe e não conseguia ouvir nada. Mas o que uma pessoa de idade, um sorveteiro, teria para falar a dois meninos skatistas? Não faço a mínima ideia. Mas eles conversavam de forma prazerosa.
Fui tocado pela cena. Nela não havia velho e criança. Sorveteiro e skatista. Pessoas não desempenhavam papeis, como é comum em nossa sociedade. Havia, sim, seres humanos trocando experiências, aprendendo uns com os outros, falando desavergonhadamente e sem pressa. Curtindo a venda dos sorvetes, curtindo chupar sorvetes, curtindo uma manhã fria do inverno itapetiningano.
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