segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Crianças, ah... crianças!

O mundo infantil é fascinante. A simplicidade, a falta de orgulho, de preconceitos, de cobiça por vezes chega a emocionar.
A gente olha a molecada e pensa: caramba, eles vivem em outro mundo! Um mundo de sonhos, de tempos e espaços diferentes daqueles dos adultos.

Mas não nos enganemos. As crianças também levam a vida a sério. E como! Prometeu? Cumpra! Falou? Não volte atrás! Sim é sim! Não é não! Nada de falas e piadinhas com duplos sentidos. A criançada não está para brincadeira. Dou dois exemplos.

Quando meu filho Timóteo era pequeno, sempre ia conosco ao Supermercado. Primeiro e até aquele momento único filho, eu e Cláudia o levávamos em quase todos os lugares em que íamos.

Passa por um corredor, olha um produto, vira pra cá, vira pra lá e, de repente, mesmo que tentássemos evitar, lá estava ele... o corredor dos brinquedos! Resultado? O pedido:

- Mãe, compra pra mim?

E a resposta, quase sempre a mesma, em um misto de verdade e resolução pragmática do problema:

- Mamãe não tem dinheiro agora, filho!

Certo dia Timóteo, ao ver aquele brinquedo sem o qual definitivamente não conseguiria mais viver, tomado de desejo e necessidade, mas lembrando do que a mãe já havia dito vezes sem conta, soltou, em alto e bom som, no meio do corredor repleto de pessoas a frase:

- MÃE, QUANDO A SENHORA TIVER DINHEIRO, COMPRA PRA MIM?

Saí de perto como se nunca tivesse visto aquela criança na vida, abandonando egoisticamente Cláudia à sorte que o destino de mãe lhe reservava.

O segundo exemplo vem do final dos anos oitenta. Naquela época eram comuns os restaurantes vegetarianos. Aproveitando a comida saudável e mais barata, comíamos com frequência neles. E Timóteo conosco.

Ele ainda não conhecia as variações, classificações e categorias de restaurantes. Para ele, era um lugar onde havia comida, e pronto. Em uma ocasião em que estávamos no centro de Joinville fazendo compras, resolvemos almoçar em um restaurante vegetariano. Depois de caminharmos bastante, estávamos os três cansados, principalmente o pequeno Timóteo.

Entramos no restaurante cheio e com dificuldade conseguimos uma mesa. Como o serviço era self service, Claudia pegou a comida para Timóteo, enquanto esperávamos sentados. Ao ver o prato diante de si, cheio de folhas, tomates, brócolis e pedaços de carne de soja, o cansado e faminto Timóteo não suportou e, indignado, expressou seu desejo de modo que todos, pais e fregueses pudessem ouvir:

- QUERO CARNE! QUERO CARNE!

Nesse exato momento nos tornamos o centro das atenções no restaurante. O tempo congelou, e era possível sentir no ar o peso da pergunta: - quem fez pedido tão absurdo?

Com o desejo de sair correndo dali, mas sem poder, e não conseguindo articular qualquer desculpa, o que definitivamente seria pior, restou-nos permanecer sentados procurando fazer de conta que nada tinha acontecido e, ao mesmo tempo, esclarecer o jovem cliente da impossibilidade de atendermos seu pedido.

Pois é. As crianças levam a vida a sério, MUITO A SÉRIO!

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