Voz da alma
“SENHOR, o meu coração não se elevou, nem os meus olhos se levantaram; não me exercito em grandes assuntos, nem em coisas muito elevadas para mim”.
Sim, já pensei em grandes coisas, desejei ser poderosa e vista com admiração.
Sim, já tracei projetos ambiciosos e planejei altos voos.
Sim, já me vi como o centro das atenções e motivo de comentários elogiosos.
Sim, já me senti saudável e invencível.
Mas minha alma adoeceu.
Meu corpo enfraqueceu.
Minha mente teima em ser dispersa e rebelde.
Encolhi e temo a escuridão.
Não consigo me definir.
Olho para mim e não me reconheço.
Sinto medo de minha imagem e de minha voz desfiguradas.
Flutuo sobre minha pobre vida e sinto-me desamparada.
À minha voz titubeante une-se outra voz.
Som inarticulado que despreza meus ouvidos.
Voz que fala ao coração.
Voz que ecoa de tempos primordiais e chega a mim.
Convite à quietude e à entrega.
Chamado ao abandono e ao reencontro.
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