domingo, 17 de novembro de 2013

Voz da alma

Voz da alma

“SENHOR, o meu coração não se elevou, nem os meus olhos se levantaram; não me exercito em grandes assuntos, nem em coisas muito elevadas para mim”.

Sim, já pensei em grandes coisas, desejei ser poderosa e vista com admiração.

Sim, já tracei projetos ambiciosos e planejei altos voos.

Sim, já me vi como o centro das atenções e motivo de comentários elogiosos.

Sim, já me senti saudável e invencível.

Mas minha alma adoeceu.

Meu corpo enfraqueceu.

Minha mente teima em ser dispersa e rebelde.

Encolhi e temo a escuridão.

Não consigo me definir.

Olho para mim e não me reconheço.

Sinto medo de minha imagem e de minha voz desfiguradas.

Flutuo sobre minha pobre vida e sinto-me desamparada.

À minha voz titubeante une-se outra voz.

Som inarticulado que despreza meus ouvidos.

Voz que fala ao coração.

Voz que ecoa de tempos primordiais e chega a mim.

Convite à quietude e à entrega.

Chamado ao abandono e ao reencontro.

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