Gosto de presépios. Em um canto do meu coração estão memórias de infância ligadas à tia Laida e seu presépio. Gostava de vê-la retirar da caixa o menino Jesus deitado na manjedoura, a vaquinha, os anjos, os reis magos, Maria e José.
Em tempos de final de ano, o presépio é a ilustração mais clara e vívida que o inusitado, o inesperado, o imprevisto acontece. Afinal, é natal.
Uma criança nasce. É mais do que uma criança. É Deus feito gente. Gente pequenina, um pedacinho adorável de gente – muito bem ilustrado no bebezinho no presépio. Carente de colo, do leite materno, de carinho, assustado diante de um mundo que veio salvar.
Por trás daquele bebe se ocultam tensões. Um Deus desejoso de resgatar os seres humanos assume a absoluta tristeza de perder o filho amado para amar os perdidos. A divindade, toda poderosa, se limita na quase total negação de si mesma, tornando-se dependente de seres humanos para nascer, crescer, aprender a vida e até para morrer.
Na vida daquele bebê se manifesta a alegria. Alegria pela chegada do filho inesperado. A plenitude contida no sorriso do bebê simplesmente por estar no colo dos pais. A explosão da existência humana materializada em Maria e José ao ouvirem o pequenino pronunciar pela primeira vez "mamãe", "papai".
Natal é tempo do imprevisto, do imponderado acontecerem. Por isso, acho que o tempo de votos serem feitos, da revisão de vida se dar, das promessas acontecerem não é a entrada do novo ano. Não. É na véspera de natal que nosso coração deve ser tocado. Aos pés do presépio, da cruz, da árvore de natal, de qualquer lugar. Qualquer lugar que nos conduza a Jesus Cristo, menino Deus, graça manifesta, luz para nossas trevas, poesia para nosso coração, silêncio que acalma o tumulto das vozes. Emanuel, Deus conosco!
A vida é dura, cruel, injusta? Sim. Certamente. Mas o natal nos lembra que o fraco vence o forte, que a esperança vence o abatimento, que a mágoa é superada pelo perdão. Jesus, o Deus feito gente, morreu injustamente, mas reviveu. A vida vence a morte.
Quando olhamos no presépio o bebê deitado nas palhas, tranquilo, somos convidados a uma relação com Deus fundamentada na fé, na confiança de que nossas debilidades não são impedimentos para a vida, mas sim o caminho pelo qual Deus está acostumado a caminhar.
A criança que provavelmente muitos duvidaram que viveria, afinal, nasceu em uma estrebaria, enrolado em trapos e deitado em uma manjedoura – como vemos no presépio – não só viveu, mas trouxe vida a todos nós. Do pouco Deus fez muito, o inusitado se transformou na forma preferida de Deus agir. Afinal, é natal!
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