sábado, 12 de outubro de 2013

As frutas e eu

Vitaminas A, B1, B2, C, cálcio, ferro, fósforo etc.

Laranja - previne gripes e resfriados; maçã - combate diarreia; pera - atua contra a hipertensão e é diurético; banana - combate a anemia; maracujá - é calmante; abacate - age contra o reumatismo.

Com elas pode-se fazer salada de frutas, geleia, doce – figo, pêssego; torta – maçã, banana, morango; goiabada, marmelada, fritar – banana; comer com açúcar e limão – abacate.

Mas não é dessa forma que vejo as frutas.

Elas, acima de tudo, lembram-me situações, pessoas.

Quando pequeno, tio Aimoré passava em casa, com outros primos à tiracolo, e nos levava para a casa de nossa vó em Paranapanema. Enquanto ele ia pescar, nós ficávamos na casa da vó. Os quintais (sim, eram vários quintais separados por cercas) eram enormes. Brincávamos de tudo que se pudesse imaginar. Mas em relação à minha avó, ficou uma imagem: em várias refeições, ela botava uma banana no meio do arroz e feijão. Aprendi com ela a comer banana dessa forma.

Em certa época da vida, provavelmente por influência de propagandas que propalavam os benefícios dessa fruta cítrica, chupávamos laranja depois das refeições. Sempre. Acabado o almoço, lá ia minha mãe pegar uma peneira (lembra delas?), encher de laranjas e descascá-las para ela, para mim e minhas duas irmãs. Terminado o jantar... lá ia minha mãe... Um pouco maior, aprendi a descascar minhas próprias laranjas... sem janelas.

Lá pelos meus 9, 10 anos, no quintal da casa que alugávamos havia uma goiabeira. Ah, a goiabeira! Na época de fruta, todo dia, logo que chegava da aula, subia na goiabeira e disputava com os passarinhos os melhores frutos. Por um período, dois primos que moravam no sítio ficaram em casa para estudar. E a goiabeira tornou-se o abrigo ideal para as caverninhas que gostavam de fazer. Feita, o que esperávamos? A primeira chuva, para ver se era boa mesmo. Sempre saíamos molhados.

Meu contato com o morango foi indireto, por meio de iogurtes. Estes eram uma novidade. Conhecia coalhada, mas o iogurte era diferente – e com sabor. O que eu mais gostava era de morango. Foi uma época em que começávamos a consumir produtos industrializados e a acostumar com seus sabores. Ao morango, fruta, fui apresentado posteriormente.

Pequenino ainda, ao ir com minha mãe à feira aos domingos, a fruta que mais desejava que ela comprasse era melancia. Minha fruta preferida. Até hoje, não posso ver melancia e ficar sem experimentar. É uma paixão irresistível. Quem teve uma experiência com melancias foi minha esposa Claudia, quando estava grávida de nosso filho Timóteo. Primeira gravidez, transcorreu sem problemas e sem maiores desejos. Mas ao ouvir o vendedor na rua anunciando melancias, ela desejou comer melancia! E comeu. E comeu! Não consegui acompanhá-la. Dava gosto vê-la comendo melancia. Resultado? Passado o desejo, não podia mais ver melancia.

As frutas. Além de todas as suas propriedades, elas exercem a grata função de despertar minhas memórias. Doces, como as frutas, memórias.

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