No início do casamento eu e Claudia moramos por quatro anos em Joinville, SC. Foram anos marcantes, com muita felicidade e algumas lutas.
Começo de vida a dois, início de vida profissional, nova cidade, novos relacionamentos.
Santa Catarina é um estado lindíssimo. Por um lado, um dos litorais mais belos do Brasil, incluindo a fascinante e encantadora Floripa. De outro, as cidades de forte influência alemã, como Blumenau, Brusque, Pomerode e a própria Joinville. Se contar que, mais para o interior, já no planalto, há as cidades que surgiram sob influência gaúcha.
E como casal jovem que foi criado no interior de São Paulo, sentimos diferenças culturais. Hábitos alimentares, a visão do Brasil a partir do Sul, o alemão sendo falado com naturalidade nas ruas e comércio por pessoas idosas, os programas de televisão produzidos na região, a forma mais direta de relacionamentos.
Nesse contexto, tivemos vários e queridos amigos que participaram de um momento especial de nossa vida: o nascimento de nosso primeiro filho, Timóteo.
Preferimos que ele nascesse em Itapetininga, SP, onde se encontravam nossos familiares. Passados alguns dias, retornamos para Joinville. Como é natural, começamos a receber visitas para saudar a chegada do novo membro da família.
Em um desses dias, um casal amigo foi conhecer Timóteo. Depois de cumprimentos e um bate-papo inicial, fomos para o quarto do nenê. Os amigos postaram-se diante do berço onde Timóteo dormia. Ela olhou... olhou... fixou um olhar clínico na criança e, virando-se para os orgulhosos pais, disparou a pérola: - Dizem que quando cresce a criança fica bonita.
Eu e Claudia trocamos olhares... mas não dissemos nada, tomados de perplexidade. Na realidade, a frase completa era: “Quando a criança é muito feia, dizem que ao crescer fica bonita”. Com sua delicadeza paquidérmica, nossa amiga havia nos poupado de ouvir o ditado por completo.
Apesar do choque, continuamos amigos. Com o passar do tempo, viemos a saber que os catarinenses, pelo menos aqueles com quem convivíamos naquela época e lugar, eram diretos nos relacionamentos, às vezes rudes. Tentamos nos adaptar a isso.
O tempo passou e incumbiu-se de mostrar que pelo menos em um aspecto nossa amiga tinha razão: Timóteo tornou-se uma criança linda, e hoje é um homem muito bonito.
Mas nunca mais esquecemos o ditado popular (ou impopular???).
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