domingo, 26 de maio de 2013

Amor

Desde o modo – desculpem-me os românticos – piegas de chamar o (a) amado (a): “Amoooor...”, até as versões gregas do amor (eros – sexual; fileo – de amigos; ágape – sacrificial, verdadeiro), o amor tem variações. E como!

O amor está circunscrito aos relacionamentos humanos, embora sempre exista alguém que declare: – Como amo meu cachorro, gato, papagaio, iguana, porquinho da Índia, peixinho etc., etc.!

Mesmo sendo uma característica do relacionamento entre pessoas, como a palavra apresenta variações de sentido! Pense em uma criança. Todos riem, se emocionam até, quando uma delas declara para a mamãe ou para a vovó: – te amo! Mas, sejamos sinceros, o pequerrucho está apenas repetindo aquilo que aprendeu com os seres que afirma amar. Quando ele repete a palavra, e recebe em troca sorrisos e agrados, continuará agindo dessa forma, mesmo sem entender.

Agora, vejamos o exemplo dos adolescentes e jovens. Embora tenham abolido os relacionamentos sérios (pelo menos muitos deles), definidos pelos antigos como namoro, em troca de experiências rápidas de envolvimento físico, definidas tecnicamente como “ficar”, não nos enganemos. O amor está presente. E muito! Em um cantinho escuro, ou no carro, o rapaz declara: – Te amo! E os beijos aumentam de intensidade, e as mãos ficam inquietas. Ou então, de modo pragmático ele propõe – Vamos fazer amor? (embora em muitos casos o termo mais usado seja mesmo “transar”).

Já o adulto utiliza mais seletivamente a palavra. Na comemoração de aniversário do (a) esposo (a) ela estará presente. Em um dia em que tudo deu certo no trabalho, o maridão chegará em casa e, surpresa, lançará repentinamente em direção da mulher a declaração: – Te amo! Mas desconfio que nesse caso a amada servirá apenas como um espelho que revelará um espírito egocêntrico em um momento de autossatisfação. Ou então, após um jantar especial, feito por ela ou pago por ele, a palavra amor surgirá fácil em meio a outros elogios.

Bem, e os velhinhos? Os casais de cabecinhas brancas também declaram amor uns aos outros. Mas, para ser sincero, se não utilizarem a palavra, não fará muito diferença. O fato de estarem convivendo lado a lado, durante décadas, a experiência concreta dos votos “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza”, demonstra de modo inquestionável que o amor existe e é real em suas vidas.

E a última expressão do amor, vertida em frase por vezes proferida diante da sepultura do amado? Qual seu sentido? Obviamente não visará recompensa. Não buscará a concretização de algo. Excetuando o fato de poder ser uma forma de justificativa esfarrapada diante dos presentes, que procura demonstrar um amor que de fato nunca existiu, o uso da palavra será uma declaração dolorida de si para si mesmo a respeito da falta que ela (e) fará. – Eu te amo! significará, na verdade: – Sentirei sua falta! Falta de quê? De que amor? Do amor infantil, do amor adolescente, do amor maduro, do amor que une até o fim da vida.

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